segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Loque americana: Parte I

A bactéria da loque americana (Paenibacillus larvae) afecta somente os estádio de larva da abelha (Apis mellifera). Os esporos da loque são somente infecciosos para a larva, enquanto as abelhas adultas são as responsáveis pela sua distribuição. A larva é mais susceptível a esta doença durante as primeiras horas, 12 a 36 horas após a passagem de ovo a larva. Durante este período de tempo basta cerca de 10 esporos para haja o inicio da infecção da larva. Após a ingestão dos esporos pela larva, estes germinam após 12 horas para dar origem à fase vegetativa. A bactéria vegetativa prolifera no “intestino” da larva muito à conta da sua alimentação que é rica em glucose, frutose e sacarose. Uma característica da bactéria da loque, durante a sua proliferação na larva, é produzir uma substância designada de “proteases” que é responsável pela degradação da larva (castanha tipo café, pastosa – verificada pela técnica do palito). Durante o processo de degradação da larva são produzidos milhões de esporos que vão infectar as próximas larvas.
Devido às actuais metodologias cientificas na área da genética, é possível identificar 4 tipos de bactérias da loque. No entanto, existem somente 2 genótipos (I e II) mais disseminados pelo mundo fora, sendo o genótipo I o mais comum e menos virulento. É verificado que o genótipo I mata a larva em 13 dias enquanto genótipo II (mais virulento) mata a larva em 7 dias. Porém, uma colónia de abelhas “dá-se melhor” com o genótipo II…e porquê?...devido ao seu comportamento higiénico. As bactérias do tipo II matam as larvas ao fim de 7 dias (a contar do 1º dia do ovo) e, como tal, a larva ainda não se encontra operculada o que facilita a detecção e remoção da larva pelas abelhas. Ao contrário, as larvas infectadas pelo genótipo I poderão ser operculadas, o que dificulta a limpeza pela colónia. Portanto, um dos primeiros passos para prevenir a loque americana nos nossos apiários é a selecção continua de colónias higiénicas.
Poderemos pensar que os antibióticos serão uma alternativa ao tratamento…nada mais errado…e será bastante confrangedor para o apicultor ser um dos visados neste tipo de noticias (http://montedomel.blogspot.com/2010/02/revista-proteste-n-310-fevereiro-2010.html). Até porque os antibióticos poderão ter as seguintes consequências: i) os antibióticos não são efectivos contra os esporos da loque, somente “disfarçam” os sintomas mas não curam; ii) os resíduos químicos, tal como os antibióticos, podem permanecer nas nossas colmeias (colónias) durante anos; iii) os antibióticos podem afectar a vitalidade das larvas e longevidade das abelhas adultas; iv) aumento da resistência da bactéria da loque aos antibióticos o que promove a procura de novos antibióticos…e um ciclo vicioso de resistência…
Sendo assim, o que temos a fazer são outras atitudes para prevenir a loque (já foi referido a selecção de colónias com comportamento higiénico). Por exemplo, o método de obrigar as abelhas a “puxarem” cera. Este método só resulta quando o nível da doença é baixo e existe um fluxo de néctar (para que seja possível puxar as ceras). Mas para uma explicação melhor nada como a colocação de imagens no capitulo II (post seguinte…)
Caso o nível da doença já seja elevado então vamos queimar a colmeia (inclusive as abelhas lá dentro).